O Monitoramento de Mídias Sociais na Estratégia de Conteúdo
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O Monitoramento de Mídias Sociais na Estratégia de Conteúdo

Muitas vezes, quando pensamos em como e qual conteúdo será oferecido por uma marca nas mídias sociais, temos algumas vagas ideias do que queremos mostrar, do que pensamos que o público dessa marca deseja e por onde começar. Certo? É um “esquema-regra básica” do início de um trabalho que envolve produção de conteúdo. É simples e funciona. Mas, seria só isso?

Pensar uma boa estratégia de conteúdo nas mídias sociais não é fácil, muito menos simples. Exige esforço, tempo, planejamento, curiosidade, criatividade, dedicação, experiência, saber olhar para “dentro” e “fora” da internet (expressão cretina, mas verdadeira), além de trabalho. Muito trabalho.

Kristina Halvorson fala que a melhor coisa no processo de desenvolvimento de uma estratégia de conteúdo é que ele “força a sua organização a examinar as suas razões de publicar conteúdo online”. E é quando isso acontece que todo o trabalho vale à pena.

A internet é feita de conteúdo. E de pessoas. Pessoas que consomem, compartilham e produzem uma infinidade desse conteúdo. Imagem, texto, vídeo, som, histórias, frases, conversas, fotos, tweets, posts, praticamente tudo que encontramos online é conteúdo. E é disso que estamos falando.

Quando unimos em uma mesma frase “conteúdo AND pessoas AND internet” podemos imaginar diversas coisas, entre elas, como o monitoramento de temas, palavras-chave e conversas pode ser o melhor amigo no desenvolvimento de estratégias que envolvem conteúdo.

Existem algumas formas de oferecer conteúdo online, mais especificamente, nas mídias sociais.

A primeira é com base naquilo que determinamos ser relevante para um tipo de público, com base naquilo que “engaja” esse público. Ou seja, uma curadoria de conteúdo, uma busca, um mapeamento daquilo que queremos mostrar.

A segunda possibilidade seria entender o que as pessoas falam da sua marca em diferentes ambientes, entender quais são os pontos fortes e fracos, transformando-os em conteúdo. Essa é uma das formas mais clássicas de monitoramento, que envolve a busca pela marca e o que é falado sobre ela.

A terceira é aquela que vamos além de um conteúdo relevante, além do que envolve diretamente o nome da marca, é aquela na qual investigamos comportamentos e vontades com o objetivo de oferecer o que as pessoas querem, porém, antes delas descobrirem essa necessidade. Entende?

Para criar e buscar conteúdo, é possível utilizar o monitoramento de diversas formas, essas são apenas algumas.

Como a Awareness Networks apontou em “2012 Social Marketing & New Media Predictions”, devemos pensar na migração do monitoramento para a inteligência, em como “é crescente a necessidade de capturar dados e transformar informações em insights acionáveis e mensuráveis de forma mais efetiva”.

“Gratificação instantânea” é o que estamos acostumados, segundo Halvorson. Todo dia somos inundados com conteúdos online, de todos os tipos e formatos. Estamos acostumados a encontrar aquilo que queremos com apenas um clique, ou uma busca. Não queremos perder tempo, não passamos mais horas em bibliotecas procurando um conteúdo por fichas em ordem alfabética. Como disse Tarcízio Silva, em entrevista, estamos acostumados, além de absorver conteúdo, produzir, falar de “(…) atividades de consumo, compras, desejos, insatisfações. (…) opiniões que são expressas geralmente de modo espontâneo e, por isso, devem ser observadas”. É um movimento de vai e vem.

Umas das coisas mais interessantes de trabalhar conteúdo é o esforço para chegar ao ponto “x”, ao ponto certo. E dentre as diversas estratégias que se pode utilizar, o monitoramento é uma das mais interessantes. Por quê? Quando começamos um trabalho de conteúdo nas mídias sociais, a primeira coisa da “to-do list” é responder a pergunta: que conteúdo oferecer? 99% das vezes olhamos rapidamente para a nossa marca, mais rapidamente para o nosso o público e fazemos cospobre do Flash Gordon na seleção e entrega daquilo que pensamos ser um conteúdo ok. E ele pode até ser ok, mas fazer a diferença com o conteúdo, nas mídias sociais, é fazer a diferença com tudo.

Parece que as marcas e empresas pegaram a mesma senha da fila do conteúdo padrão por tipo de público. Aprendemos que devíamos “aprender com o conteúdo criado pelo usuário”, mas esquecemos que o papel que desenvolvemos não é apenas o de ser “outro usuário”. O que um seguidor no Twitter ou uma fã no Facebook esperam do conteúdo de uma marca? Talvez a resposta seja simples, aquilo que eles simplesmente não esperam.

Digamos que você tem um público. Você já o conhece, sabe a sua classe social, faixa etária, sabe como se comporta, mas não sabe muito bem sobre o que ele fala no dia-a-dia ou sobre o que ele busca e deseja. Você também não sabe como o comportamento dele funciona em diferentes ambientes, até porque, nas mídias sociais, nenhum ambiente ou ferramenta é exatamente igual. O primeiro passo é entender mais sobre esse público, sem superficialidades, de forma completa. O monitoramento vai ajudar, de diversas formas, a oferecer o que esse público quer.

Esse conteúdo não precisa, necessariamente, ser único e original, mas precisa ser certeiro e inesperado. E podemos conseguir isso através do monitoramento de palavras-chave, de pessoas-chave, de temas específicos, daquilo que influencia e inspira o seu público. A busca pelo conteúdo certo é um buraco no jardim da Alice que a gente só dá uma olhada, esquece de cair e do que pode existir lá no lugar que ninguém chega.

Para essa lógica funcionar é preciso (mesmo!) conhecer o público que queremos nos comunicar. Por isso esse primeiro passo é tão importante. Sua estratégia de monitoramento dependerá disso (e, na maioria da vezes, é aí que o trabalho para).

Essas informações serão utilizadas para definir o que será monitorado, pensando como resultado o conteúdo final. Aqui não adianta pensar somente em boas palavras ou bons (drinks) temas, é preciso saber como e onde encontrá-los. Ou, melhor, o que deverá ser interessante daqui um mês? Tendências? Talvez esse não seja o termo, mas é meio como o que a moda faz. Ela busca, transforma e apresenta de um novo jeito e em um novo formato.

É um trabalho que envolve muito mais um bom analista do que uma boa ferramenta de monitoramento. Porque, como diz Jason Falls, “(…) none of them do what you want them to do. They only do half the job. None of them tell you what to do with the information”.

No final, a grande questão é criar envolvimento entre o seu público e o seu conteúdo. O monitoramento e o seu planejamento são apenas formas de chegar lá.

Rafael Oliveira traz a ideia de que “consumir conteúdo se tornou uma atividade social”, e um bom conteúdo é aquilo que se passa para frente, comenta, compartilha, curte, indica. É nesse objetivo que todos queremos chegar.

Na próxima vez que você pensar em uma estratégia de monitoramento, vá além do combo sua marca + o que falam sobre ela, vá além do medir o que é positivo, negativo e neutro, coloque as suas expectativas e ideias de conteúdo sentadas na mesma mesa do monitoramento durante a pausa do café e veja como essa união pode dar certo.

By: primuniz.com.br / Priscila Muniz

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